Livre-se dos rótulos e saboreie novos desafios

Com certa frequência, minha esposa Ana, me convidava para ir a um restaurante japonês. Eu dizia (na maioria das vezes antes que ela terminasse o convite) que até poderia acompanhá-la, mas comeria algo “quente”, cozido, assado, frito, mas nunca peixe cru. Para mim, era muito estranho alguém gostar de peixe cru ou próximo disso. Enfim, eu relutava sempre.

Mas você pode estar se perguntando: “Fred, você já havia PROVADO comida japonesa?”. Não, nunca tinha comido. Mas dizia com veemência que “NÃO GOSTAVA” e ponto final. Uma barreira aparentemente simples, moldada ao longo dos anos por uma teimosia capaz de congelar minha capacidade de EXPERIMENTAR algo novo.

Minha reflexão não quer se basear apenas em uma limitação gastronômica. Aqui, quero tomar este simples exemplo, para mostrar o quanto às vezes nos fechamos diante das coisas novas, porque formamos em nosso inconsciente um PRECONCEITO rígido sobre os mais variados temas.

Não nos preparamos para caminhar para novos caminhos, novas oportunidades, novas amizades ou novos desafios. Há quem não mude nunca a marca do carro que usa porque alguém da família disse um dia que aquela “tal fábrica” era a melhor. Outros não mudam nem o lugar que sentam à mesa. Nem mesmo mudam o lápis de lugar na escrivaninha.

Eu não estou querendo incentivar uma ideia anárquica ou sem afeição a regras ou métodos. Eu acredito na importância das regras. Regras são fundamentais para o zelo e o bem comum. E creio que bem executadas e dentro dos limites dos valores cristãos e humanos as regras nos ajudam a caminhar com mais objetividade e diminuem a possibilidade de algum desvio indevido.

Mas ficar absolutamente fechado em convicções próprias é um erro. É preciso saber que nossa capacidade de aprendizado é ilimitada. É só parar um pouco para pensar, o quanto aprendo com minha filha Valentina, de 6 anos. Sim, uma criança que ensina-me muitas vezes a ser melhor, mais paciente, mais focado no que é importante e, sem dúvida, me ensina a ser mais leve diante da vida.

Mas e a comida japonesa? Hoje eu adoro!! E devo isso a minha esposa e a um grande amigo, Cesar Quintella, que um dia nos acompanhando em um almoço, com muita paciência interviu após escutar de mim um relutante e insistente “não gosto disso”. Disse-me: “Você não gosta porque NÃO SABE COMER esta comida.” Fiquei espantado! Como assim, não sei comer? Ele completou, explicando que para amar esta culinária tão especial é preciso EDUCAR o paladar para seu gosto tão singular. E em seguida, começou a me orientar por onde eu deveria começar para que os sabores e as texturas fossem tomando a forma correta em meu paladar. E assim, tornei-me um apaixonado por esta culinária.

É assim que acontece também em outras áreas da vida. Se você tem algo a fazer e acredita que uma atitude diferente pode fazer sua vida mudar para melhor, mas acha que pode não gostar DO CAMINHO que sustentará sua escolha, comece treinando seus hábitos. Não viva somente NA BUSCA da felicidade. Seja feliz NA CONSTRUÇÃO do que você busca. Treine seu pensamento para TIRAR OS RÓTULOS que você construiu diante das dificuldades, caso você ainda não tenha experimentado TODAS as possibilidades. Se já tentou, mas não gostou ou deu errado, ótimo!! Isso não é fracasso! É APRENDIZADO!! Vamos em frente! Experimente!! Deus te abençoe!!

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