Sofrer rima com crescer

Sofrer também rima com crescer.

Em primeira análise, a palavra “sofrer” pode ser ligada a algo negativo ou ruim. Em contrapartida a palavra “crescer” soa positiva, portanto pode ser ligada com maior frequência a acontecimentos bons. Mas penso que a grande experiência está em se PERMITIR viver um momento assim: Sofrer para crescer.

Mas não ressaltei a palavra “permitir” na frase anterior levando em consideração seu principal significado, pois não creio que seja uma mera “permissão” unilateral para que eu viva tal circunstância. Falo aqui da possibilidade que tenho de me encorajar a RECONHECER e SUPORTAR o momento de dificuldade que posso ter que enfrentar. Mas aqui não me refiro a um ato passivo e conformado de ACEITAR um sofrimento.

Me refiro a tomar uma decisão de ENFRENTAR o sofrimento. Sem atalhos. Veja um exemplo: Um homem procura um dentista para tratar uma dor em seus dentes. O dentista avalia a questão e percebe que aparentemente não há nada errado, mas ao “cutucar” um canto mais escuro, ao ir MAIS FUNDO, ele nota que por dentro da primeira capa removida há uma grande cárie que precisa ser retirada.

Qual é o procedimento? Dependendo do caso, o dentista precisará abrir um buraco ainda maior do que a própria cárie havia feito antes, para poder então RECONSTRUIR o dente quase perdido. Logo, para que aconteça essa reconstrução será preciso que antes se retire o que não está bom. E talvez seja doloroso, incômodo ou demorado.

Este tempo litúrgico que estamos vivendo me sugere a reflexão sobre a importância de se permitir ir MAIS FUNDO diante das adversidades. De tocar o fundo do problema potencial que vivo para poder ganhar força e impulsionar até a margem.

Na Quaresma, este tempo que antecede a Páscoa, eu tenho a possibilidade de fazer uma experiência de renúncia e penitência, não somente através do jejum propriamente dito, mas sobretudo tomando uma decisão de enfrentar com mais afinco as dores cotidianas. E a partir deste enfrentamento, tenho a chance de responder de forma ainda mais contundente ao chamado de conversão diária.

Ao viver as dores e problemas do dia a dia, sem fugas ou distrações, tenho a oportunidade de moldar-me na firme esperança da Páscoa que vai chegar, após este tempo de espera e conversão, iniciado na quarta-feira de cinzas. Cinzas que marcaram minha testa remetendo-me ao pó da minha humanidade.

Portanto, vivemos um tempo urgente!! É tempo de conversão!! Sim!! A Quaresma é um tempo de conversão. Ouvi isso quando permiti que o sacerdote fizesse uma cruz em minha testa enquanto dizia: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Tempo que antecede o momento mais sublime da nossa fé, a Paixão de nosso Senhor. A vivência da morte e da RESSURREIÇÃO de Jesus. Então é um tempo onde reflito e vivo intensamente mais do que uma espera passiva da Cruz.

Sou chamado a vivenciar, a sofrer, a suportar, a superar e a aprender com as cruzes que preciso carregar. Por isso aos meus olhos humanos este tempo quaresmal pode até parecer ser um momento incômodo, porque repito, exige alguma renúncia, algum esforço. Mas de fato não é.

Este é um tempo de CRESCIMENTO para mim. Porque através da decisão de ENFRENTAR as cruzes do incômodo, das dificuldades, da renúncia ou dor, o meu coração estará sendo forjado pelo fogo caloroso e carinhoso do AMOR que se dará na Páscoa … por AMOR.

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