Pedir desculpas ou pedir perdão?

Em uma de suas homilias, o Papa Francisco disse: “Para pedir perdão a Deus, é preciso seguir o ensinamento descrito na oração do Pai Nosso: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Tarefa fácil? Claro que não. Mas vamos por partes. Para que eu tenha acesso ao perdão, e consequentemente limpe o meu coração, é preciso o reconhecimento do meu pecado. Diante de Deus eu me coloco SINCERAMENTE arrependido, procuro o sacramento da reconciliação, e assim tenho a certeza que o meu Pai, que é misericórdia, me perdoará sempre. Isso mesmo. SEMPRE! Ele conhece a minha limitação e me encoraja a ter uma atitude restauradora e libertadora. E é essa atitude de coragem que Ele me concede também quando eu preciso pedir perdão a alguém que magoei.

Pedir perdão ao outro a quem fiz mal pode até transparecer fraqueza, mas não é. Na verdade é preciso ser forte para se desvencilhar do orgulho e reconhecer diante do outro o meu pecado. Não me refiro apenas à um erro comum, mas sim ao pecado que cometi com o outro. Algo mais profundo.

O Papa Francisco também falou sobre esta diferença em sua homilia. Disse: “A grande diferença entre pedir desculpas e pedir perdão é que as desculpas são lançadas sobre um erro e o perdão é lançado sobre o pecado da idolatria. A idolatria que colocamos sobre o pecado do orgulho”.

Então quando cometemos um erro, pedimos DESCULPAS, mas quando pecamos, pedimos PERDÃO. São coisas diferentes, pois um erro pode não ser pecado, como por exemplo quando sou descuidado e deixo um copo de água cair no colo de alguém que compartilha a mesa comigo. Nessa situação devo pedir desculpas (e buscar um pano para a pessoa se secar, se possível…).

Mas com o pecado é diferente. Ao pecar eu abro as portas para que o mal se aproprie de mim. E em conseqüência faço mal ao outro. Portanto, quando eu peço o perdão ao outro que fiz mal eu me desapego do orgulho e me liberto daquilo que estava primeiramente me aprisionando.

E repito, como é lindo pensar que estando com o coração sinceramente arrependido Deus sempre me concederá o SEU perdão. E agora temos o outro lado. Não menos complexo. Falemos da parte da oração que diz: “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Eu perdôo? Ou também fico preso ao orgulho quando alguém me procura para pedir perdão? Quanto tempo ficamos atrelados ao erro que o outro cometeu?

É evidente que você pode dizer assim: “Puxa, mas você não tem ideia do que ele me fez. É imperdoável”. Nessa afirmação tão possível quanto humana me remeto sempre à capacidade infinita que Deus tem de me perdoar, apesar das minhas inúmeras faltas. Aí você me diria: “Peraí, mas Deus é Deus e eu não sou Deus!!!” Claro que não somos. Somos limitados e precisamos ter a consciência de que na maioria das situações não conseguiremos perdoar sozinhos.

É preciso pedir que Deus nos ajude a abrir espaço no coração para que a GRAÇA do perdão possa entrar. É preciso perceber que essa é uma contrapartida maravilhosa que somos chamados a viver. Eu ABRO espaço para que Deus perdoe meus pecados SE eu for capaz de perdoar. Não se trata aqui de uma mera “condição”, não é isso.

É que na medida em que percebo que mesmo sendo tão fraco, Deus em sua misericórdia ainda assim me perdoa, eu abro a possibilidade para olhar o erro do outro e perceber que somos iguais e que todos nós merecemos o mesmo olhar carinhoso de Deus. Se eu não estiver disposto a perdoar será como levantar muro para que Deus me conceda o perdão.

E é preciso entender que, quando não concedemos o perdão não estamos dando um “troco” em quem nos fez mal. Estamos maltratando a nós mesmos. Porque se o outro já deu o passo para o perdão significa que ele já teve a chance de limpar o seu coração. Aí o único coração sujo, ressentido e maltratado será o meu, porque ainda não me permiti limpa-lo. Cuide de seu coração. Peça o perdão. E perdoe também. É um lindo passo de amor.

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